Levantei no meio da noite. Caminhando, tateando pelas paredes, cheguei na varanda. O céu. Tão claro, iluminado por uma lua maior do que nunca, branca, linda. As estrelas me chamavam, incentivando que me livrasse das amarras. Fechei os olhos e me soltei. Seguindo os risos e brilhos e chamados, abri os olhos. Flutuava, sendo levada para junto das minhas novas amigas. A melhor sensação, a liberdade tão querida. Acordei. Levantei no meio da noite….

Sussurros.

Aquele olhar me incomodava. Queria correr, fugir, mas várias pessoas ao meu redor me impediam de executar a ação. Virei para o outro lado, com um frio na barriga por ser alvo de um olhar tão intenso. Então ouvi, com um sopro no lóbulo: “Tire esses óculos.” Senti-me ultrajada! Quem essa criatura pensava que era? Nem me dei o trabalho de virar, respirei fundo e continuei fixamente parada, mas agora com um ar pedante, tirada da raiva que sentia. Pareceu notar bem o que se passava, pois deu uma risada de escárnio, o que só serviu para deixar-me mais irada.

“Não adianta fingir resistência, uma hora você vai ceder”. Um arrepio transpassou por todo o meu corpo. A certeza com a qual a frase fôra dita me deixou perplexa, mas ao mesmo tempo eu sabia que era verdade. Não podia deixar de sentir o que estava acontecendo. Mas era um estranho, e tão senhor de si, tão inconveniente… O que certamente deixava tudo muito mais excitante.

Palavras sussuradas ao pé do ouvido continuaram por algum tempo, e eu sem olhar nem uma vez. Em um lugar público, como aquele, eu fingia distrair-me vendo as conversas alheias, o ir e vir de pessoas desconhecidas. Então, quando um suspiro foi dado mais intensamente, não tentei mais resistir e acabei virando. E me descobri tão sozinha quanto antes, e até muito mais, pois o admirador admirado tinha sumido, me deixando num completo vazio, extremamente solitária.

Só não pode chover.

Coisa que nunca faço é entrar em horóscopo. Nem sei qual é meu ascendente, a minha cor, o meu elemento, se a lua estava à esquerda no horário do meu nascimento, ou seja lá o que for. Mas ontem me peguei procurando as características do meu signo, que, por acaso, é Câncer. Pra início de conversa, meu signo é o grande féladaputa do Zodíaco.

Já tinha ouvido dizer que Câncer é o signo da maternidade e é guiado completamente pela emoção, mas não tinha ideia de que cancerianos são dados à chantagem emocional, mudanças de humor num piscar de olhos e… Peraí! Praticamente me descreveram! Pitombas, eu sou assim!

O site que eu vasculhei dava o perfil do canceriano, o que gosta, o que não gosta, os signos que combinam, etc, mas também vinha escrito assim: “na melhor das hipóteses são…” e “na pior das hipóteses são…”. E quem ia entrar no site, ler e dizer: “FUDEU! EU SOU O PIOR CASO! VOU ME MATAR!”?

Pois eu digo! Muitas e muitas vezes (malditas mudanças hormonais) me classifico como um pior caso do signo de Câncer. Eu liberto meu lado xiliquento; mudo de humor igual um Gremlin; choro litros; fico impaciente e irrascível; me transformo num perigoso caso de carência crônica; faço dramas e chantagens emocionas até pro meu cachorro. Daí tudo passa e volto a sorrir, olhando para a catástrofe que eu criei com uma cara de ‘por que estão todos tão desbaratados?’.

Outra característica forte que descobri vir das estrelas que regem meu signo (ou algo assim) é a tendência à nostalgia. Guardo cartas de pessoas que só passaram e desapareceram da minha vida, mas “oh, foi tão importante pra mim na época”. E foda-se se a ‘época’ foi a abolição da escravatura ou a pessoa se mostrou um amigo da onça, o que importa é a minha lembrança.

É claro que também tenho muitas características do melhor caso. Sou carinhosa, sonhadora, sensível, carismática… O quê? Sou muito carismática, até na hora das minhas confusões… mas é claro que não esperava que você me entendesse, afinal ninguém me ama nesse mundo! Sou tão infeliz que não tenho muita vontade de viver nesse momento. Por que minha vida é tão complicada, meu Deus? Vou dizer mais, estou completamente decepcionada com…

Algumas das melhores coisas da vida e uma observação pertinente.

O vento batendo nas folhas. O desenho das nuvens. O barulho das ondas. Risadas de crianças. Gargalhadas e aplausos. Chopp gelado. Filmes avassaladores. Amar. Ser amado. Amizade inesquecível. Dançar. Sexo. Massagem. Strogonoff de camarão. Praia vazia. Nadar à noite. Conversa inteligente. Sonhar. Telefonema esperado. Primeiro salário. Sorvete de flocos. Música marcante. Cães e gatos. Passarinhos e lagartixas. Sapos e galinhas d’angola. Maionese temperada. Banho de chuva.

O meu amor dormindo ao meu lado nesse momento…

Observação pertinente: a vida não é um mar de rosas; o amor não vem num cavalo branco; a felicidade não é infinita.

O maior de todos.

 

Em casa, juntando fotos antigas, cartas lidas e relidas, lembranças guardadas e a maioria até esquecida. Depois de muitos espirros, encontrei algo que marcou. Era somente um desenho antigo, papel amarelado, com traços infantis e sem nenhuma definição. Mas me fez ‘derramar o mar todo pelos olhos’. Coisas tão simples, mas que tem uma emoção tão profunda enraizada. A energia que esse desenho desprendia me fez viajar alguns quilômetros e estar com a desenhista em segundos. Parecia que a sentia ao meu lado, olhando para mim com seus enormes olhos castanhos e dizendo, com aquela voz grave de quem tudo sabe e que me entende mais do que imagina: “Amo você, tia, mais do que o infinito, do fundo do meu coração’.

Ah, o amor…

Olhares.

 

Estava no ônibus. Ela fixou seu olhar em mim. Sentou ao meu lado. Dava pra perceber que era daquelas pessoas intensas, marcantes. Tão marcante que durante os 40 minutos da viagem não consegui desviar o olhar. Tão intensa que o ar ficou denso e a respiração difícil. Quantas pessoas passaram sem eu nem perceber? Nada além de nós existia. Só ouvia o som de nossas respirações, só sentia os cheiros de nossos corpos.

Dias depois, ainda lembro de tudo seu. Inesquecível. Esperando que o mundo gire e nos encontremos novamente. Ou não. Medo eu tenho é do encanto desaparecer. Intimidade normalmente destrói fantasias. Desejo proibido, paixão platônica, tudo tão gostoso! A vida tem seu sentido naquele tempo de aceleramento do coração, em que o cérebro parece parar de funcionar e o calor sobe pelo corpo. Adrenalina, nasci pra isso.

Pensando, aquele olhar me consome. E é de um jeito bom, bom…

Borbulhas de amor

Estou numa fase bem clichê da minha vida. Estou amando. O trabalho está sendo reconhecido. Amigos especiais me rodeiam. A parte ruim é essa merda de gripe que não consigo fazer desgrudar. O vírus tá gostando de ficar por aqui, me fazendo companhia.

Enfim, temos agora um site. Só clicar em: www.teatrama.com.br  e divertir-se.

Estou sumida, mas tentarei vir mais vezes. Sinto falta de escrever, colocar na tela do pc toda essa agitação de sentimento. Acalma e faz refletir. O twitter está sendo mais visitado, mas é óbvio que tenho coisas para dizer que não cabem em 140 caracteres. Até porque, convenhamos, falo pra cacete.

Despeço-me desse post recitando tal poesia que não me sai da cabeça: ‘Quem me dera ser um peixe, para em seu límpido aquário mergulhar.’ (para ser lido com seriedade, fazfavor.)

Desejo

“Não sinto nada mais ou menos, ou eu gosto ou não gosto. Não sei sentir em doses homeopáticas. Preciso e gosto de intensidade, mesmo que ela seja ilusória e se não for assim, prefiro que não seja.
Não me apetece viver histórias medíocres, paixões não correspondidas e pessoas água com açúcar. Não sei brincar e ser café com leite. Só quero na minha vida gente que transpire adrenalina de alguma forma, que tenha coragem suficiente pra me dizer o que sente antes, durante e depois ou que invente boas estórias caso não possa vivê-las. Porque eu acho sempre muitas coisas – porque tenho uma mente fértil e delirante – e porque posso achar errado – e ter que me desculpar – e detesto pedir desculpas embora o faça sem dificuldade se me provarem que eu estraguei tudo achando o que não devia.
Quero grandes histórias e estórias; quero o amor e o ódio; quero o mais, o demais ou o nada. Não me importa o que é de verdade ou o que é mentira, mas tem que me convencer, extrair o máximo do meu prazer e me fazer crêr que é para sempre quando eu digo convicto que ‘nada é para sempre’.”

Gabriel García Márquez

Homenagem.

- Daremos início agora ao quadro ‘Minha vida dá um filma indiano’, com a ilustre presença do sr Aroldo. Boa tarde, sr Aroldo.
- Boa tarde.
- Diga-nos, senhor, qual é a história da sua vida que dá um filme indiano?
- Bom, é um pouco grande a história, peço a paciência de vocês.
- Fique à vontade, sr Aroldo.
- Foi um dia em que eu saí do trabalho atrasado pra um compromisso e meu carro deu problema logo em um trecho onde não existe nada por perto, só uma enorme floresta. Tentei ligar pra casa, mas meu celular não pegava. Então resolvi caminhar pela floresta para ver se encontrava algo. Encontrei 3 lenhadores desarvorados que logo decidiram me molestar. E enquanto eles me molestavam, fiquei pensando na vida. Porque veja bem, eram cerca de 10:30 e meu compromisso era ás 11:00.
- É sempre assim, quanto mais apressados estamos, mais lento tudo parece correr.
- Verdade absoluta, isso. Bom, logo que eles acabaram, nos despedimos e continuei andando. Como estava com pressa, não prestei atenção no caminho e acabei pisando em uma armadilha para ursos. Perdi a perna esquerda, e continuei capengando. Logo mais adiante, deparei-me com um urso, que, por sentir-se solitário, molestou-me também.
- E o senhor sentiu raiva, então?
- Não! O único problema do pobre urso era estar sozinho. Ele na verdade foi muito meigo e gentil.
- Quando lidamos com seres educados, a história é outra.
- Gostaria até de fazer um apelo, aproveitando esse espaço. Urso, gostaria de lhe pedir para fazer os exames necessários, pois um dos lenhadores não usou preservativo e desconfio dele.
- E fica então esse bonito apelo. Mas continue sua história, por favor.
- Depois de tanto andar, consegui chegar em casa. Mas me surpreendi com minha mulher na cama com o leiteiro. Gritei logo: ‘Josefa, estou com a perna machucada, trate de fazer-me um curativo!’. Estava lá sentado, recebendo tratamento quando me entra meu filho, único, e diz que se inscreveu nos escoteiros. Pera lá. Meu dia estava indo bem, e esse moleque vem me dizer uma coisa dessas?? Escoteiro?? Perdi a paciência, dei-lhe uns bons tabefes para aprender a ser homem.
- …
- …
- Bonita história, sr Aroldo. Mas… como pode ser transformada em filme indiano?
- Veja bem, quando os lenhadores foram me molestar, adivinha como eles procederam?? Fizeram fila indiana!
- …
- …
- Obrigada pela presença, sr Aroldo. Continuamos com a programação normal.

A Mulher de Rosa.

Tá chegando!